Os Rios de Arouca – António Óscar Brandão

Em destaque

Nota prévia

Publicado inicialmente nesta  página, em Junho de 2010, tornou-se texto de referência sobre os rios de Arouca.

O estado de abandono absoluto então existente agravou-se até ao presente, sendo excepção a intervenção em curso, através da construção de ciclovia junto a troço do rio Arda, sem que vertentes fundamentais se mostrem asseguradas e a que acrescerão , no futuro, os custos de manutenção, considerando as toneladas de madeira  utilizadas na execução do respectivo projecto.

Outro rumo teria sido possível, tivesse existido vontade política, que o próprio texto considerava como condição imprescindível.

Que a presente republicação possa contribuir para a necessária reflexão, por parte de todos os arouquenses, que a  situação actual reclama.

Arouca, 26/06/2021

Os Rios de Arouca

.Não há cartaz ou panfleto que sirva de cartão-de-visita ao concelho que não lhe enalteça, de forma muitas vezes descarada, as potencialidades naturais. E a ladainha é sempre a mesma: a Serras, os Rios, a Paisagem, os Vales Verdejantes… estas e outras loas que se destinam a captar a atenção do visitante incauto que tantas vezes sai defraudado de tanta e tamanha magnificência propagandística.

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O estado dos nossos Rios

1. O PAIVA:

Tantas vezes considerado na literatura municipal um dos rios menos poluídos da Europa,   puro e cristalino, com pêgos de águas serenas e rápidos tumultuosos que têm atraído ao concelho os amantes dos desportos radicais, tem, actualmente, índices elevados de poluição. Na Geografia Sentimental já Aquilino Ribeiro se lhe referia nestes termos: «Cristalino e mimoso das mais saborosas trutas que há no mundo, lá vai seguindo a sua derrota, à semelhança de tudo o que existe debaixo da roda do sol, ora manso, não te rales, ora iroso e cachoando em açudes e leixões.»

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O que entra e o que sai e se vai… – João Ferreira

1. Bastou que a pre­si­dente da Co­missão Eu­ro­peia vi­esse a Por­tugal dar o seu acordo à pro­posta de Plano de Re­cu­pe­ração e Re­si­li­ência (PRR) pre­pa­rado pelo Go­verno (que o re­tocou, em função de exi­gên­cias de Bru­xelas) para logo se ouvir re­petir, em es­pe­cial na im­prensa eco­nó­mica, a velha má­xima po­pu­la­ri­zada por Milton Fri­edman (em­bora, na ver­dade, lhe seja an­te­rior), tão do agrado dos ne­o­li­be­rais da nossa praça: «não há al­moços grátis.»

Es­tamos pe­rante a cons­ta­tação de algo que há muito o PCP vem de­nun­ci­ando: as verbas do PRR – 16 mil mi­lhões de euros, para os pró­ximos cinco anos – têm as­so­ciada uma pe­sada con­di­ci­o­na­li­dade, que não apenas con­di­ciona o des­tino a dar ao di­nheiro, como impõe, como con­tra­par­tida pela sua uti­li­zação, a re­a­li­zação de «re­formas es­tru­tu­rais», algo que sa­bemos bem de­mais o que quer dizer.

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Emergência florestal – Duarte Caldeira

A floresta portuguesa continua à espera de decisões eficazes e consistentes, que a preservem e desenvolvam como recurso económico, social e ambiental ao serviço do país e das populações.

Rescaldo de incêndio florestal. Foto de arquivo (2017)
Rescaldo de incêndio florestal. Foto de arquivo (2017)CréditosManuel de Almeida / Agência Lusa

Pela Lei n.º 23/2021 de 7 de maio a Assembleia da República restabeleceu «o funcionamento, por um período de 60 dias, do Observatório Técnico Independente para análise, acompanhamento e avaliação dos incêndios florestais e rurais que ocorram no território nacional», criado em 2018 e que cessou o seu mandato em 31 de dezembro de 2020.

No diploma que restabeleceu o funcionamento temporário do observatório, não foi definida qualquer missão especifica para este, pelo que se aplicam as atribuições constantes no diploma inicial que o criou.

Confrontado com esta circunstância o observatório, face à inexistência de qualquer orientação adicional da parte do Parlamento, decidiu centrar a sua análise no Programa Nacional de Ação (PNA) do Plano Nacional de Gestão Integrada de Fogos Rurais (PNGIFR).

«A estratégia adotada pelo Governo no domínio da defesa e valorização da floresta portuguesa, após os incêndios de junho e outubro de há 4 anos, tem-se caracterizado pela frenética produção legislativa, muitos planos, muito marketing e muita retórica científica. Tem faltado contraponto político eficaz para demonstrar que, até ao momento, nada de estrutural se alterou na situação calamitosa a que chegou a floresta portuguesa»

Apesar de todos os esforços desenvolvidos pelo observatório, na pessoa do Secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, para aceder à versão consolidada decorrente do período de discussão pública do PNA aprovado pelo Conselho de Ministros na sua reunião de 27 de maio de 2021, só a 7 de junho de 2021 (dia anterior à publicação da RCM em DR) foi disponibilizada a versão final do referido documento.

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A Emancipação da Mulher

Nem sempre as políticas de igualdade de género significam emancipação. Ao longo de 100 anos, o PCP tem lutado pela emancipação da mulher e muitas foram as mulheres que ao longo de 100 anos lutaram ao lado do PCP. Da resistência ao fascismo à despenalização da IVG, a história do PCP também é a história da luta das mulheres. Continuar a ler: https://www.pcp.pt/100anos#seccao-a-e…

Ei-los – Anabela Fino

A des­lo­cação de Joe Biden a In­gla­terra para par­ti­cipar na ci­meira do G7 – Ca­nadá, França, Ale­manha, Itália, Japão, Reino Unido e Es­tados Unidos da Amé­rica – saldou-se como seria de es­perar por muita parra e pouca uva. Num faz de conta de que veio re­atar laços de co­o­pe­ração des­feitos por Trump, o pre­si­dente norte-ame­ri­cano anun­ciou aos «par­ceiros» o que já tinha sido de­ci­dido em Washington e fez voz grossa à China e à Rús­ssia, no que logo foi se­guido pelo afi­nado coro da União Eu­ro­peia e da NATO.

O de­no­mi­nador comum, para con­sumo pú­blico, pa­rece ter sido Alexei Na­valny, o opo­sitor de Putin preso na Rússia desde me­ados de Ja­neiro, a quem a Am­nistia In­ter­na­ci­onal re­tirou em Fe­ve­reiro a de­sig­nação de «pri­si­o­neiro de cons­ci­ência» de­vido às suas po­si­ções ra­cistas e xe­nó­fobas, como com­parar imi­grantes mu­çul­manos a ba­ratas e de­fender o porte de armas de civis para «re­sol­verem» o pro­blema. O mesmo Na­valny que em 2007, de­pois de ter sido ex­pulso do par­tido li­beral Ya­bloko por de­ne­grir a sua imagem, formou o pró­prio par­tido, Narod, e logo re­cebeu uma bolsa de es­tudo do Pro­grama Mau­rice R. Gre­en­berg da Uni­ver­si­dade de Yale, nos EUA, que forma lí­deres po­lí­ticos. E ainda há quem diga que não há coin­ci­dên­cias!

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TERÁ ISTO ACONTECIDO? – Francisco Gonçalves

1 de Abril de 2021

Pela fresca, enquanto se dirigia para a 24 de Julho, o assessor de imprensa do todo-poderoso Secretário de Estado da Ciência Educativa envia SMS, aos Chefes de Redação dos principais jornais do país, “Seguem já dados brutos dos exames do ano passado, resultados a 21 de Maio”.  

De seguida, novo SMS, agora para o Dr. Vasconcellos e Mello, presidente da Associação de Colégios da Santíssima Sabedoria, “Jornais recebem dados hoje, publicação a 21 de Maio”. Sucedem-se as mensagens de volta: “ok”, “perfeito”, “certo”.

Durante a manhã reuniões sucessivas, na Secretaria de Estado, nas redações dos jornais, nos colégios que, por esse país fora, assumem a penosa missão de instruir os de cima. Na Secretaria de Estado, com o departamento jurídico, de preparação das alterações à legislação sobre o recrutamento docente. Nas redações dos jornais, destacando jornalistas para o tratamento de dados e produção das peças para 21 de Maio. Nos colégios, gizando a campanha publicitária para as edições dos jornais de 21 de Maio, bem como o processo de seleção dos candidatos para 2021/2022, com inicio no Dia da Criança.

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Agricultores protestaram em defesa da agricultura familiar e do mundo rural

Reunidos em Lisboa, esta segunda-feira, os agricultores exigiram uma PAC virada para os mercados de proximidade, para os sistemas policulturais e para o rejuvenescimento da agricultura com rendimentos justos.

António Cotrim / Lusa

A manifestação desta tarde, promovida pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA), seguiu da antiga FIL para o Centro Cultural de Belém, em Lisboa, sede da Presidência Portuguesa da União Europeia, onde se realizava hoje a reunião informal dos ministros da Agricultura da União Europeia.

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Centenário de Saramago, de Portugal para o Mundo

José Saramago, 1999
José Saramago, 1999CréditosPedro Soares

São muitas as iniciativas anunciadas, esta terça-feira, por Carlos Reis, professor jubilado da Faculdade de Letras de Coimbra, e comissário designado pela Fundação para dirigir o programa que terá lugar entre 16 de Novembro de 2021 e de 2022, dia em que o escritor completaria 100 anos.

Carlos Reis identificou ainda os «vários eixos de actuação [do programa], porque a sua obra literária e o seu pensamento a isso aconselham: no eixo da biografia, no da leitura, no das publicações e no das reuniões académicas. Comum a todos eles é o desafio de celebrarmos o legado de um escritor que, a caminho de cumprir 100 anos, continua tão actual como estas palavras que ele mesmo disse: “Vivo desassossegado, escrevo para desassossegar”».

As comemorações abrangem um vasto espectro de formas de expressão artística, indo das artes visuais ao cinema, ao teatro, à dança e à ópera. Em todas elas se encontram oportunidades para explorar «a figura e a biografia do escritor».

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Apresentação dos primeiros candidatos à AM e CM

Parque de Sinja, Rossas, Arouca, 5 de Junho de 2021

No passado sábado, dia 5 de Junho, no Parque de Sinja, em Rossas foram apresentados os primeiros candidatos da CDU – Coligação Democrática Unitária  à Assembleia Municipal de Arouca e à Câmara Municipal de Arouca, respectivamente, Vítor Correia, 46 anos, professor e Lara Pinho, 37 anos, enfermeira. Foi, também, apresentado José Armando Almeida como primeiro candidato à Assembleia de Freguesia de Rossas.

A  apresentação  dos  candidatos  coube a Francisco Gonçalves, em nome da Coordenação Concelhia, tendo sublinhado três aspectos:


– A RENOVAÇÃO –   uma  necessidade  dos  colectivos  e  das  organizações,  factor de enriquecimento do projecto, introduzindo  mudanças, de rostos e estilo, acrescentando ideias.


– O PROJECTO – focado nos problemas concretos das pessoas e na necessidade da sua resolução. Apesar de Arouca estar na moda, existem problemas que a política-espectáculo ignora – a desvalorização do poder local democrático, a qualidade e oferta dos serviços públicos de proximidade, o desordenamento florestal, a oferta deficitária de transportes, o saneamento, a rede de abastecimento e o preço da água. Estes problemas, têm sido trazidos para debate nas campanhas eleitorais e, posteriormente, às Assembleias Municipais, entre  2005  e 2009,  pela  intervenção do eleito José Oliveira, desde então utilizando o período de intervenção dos munícipes.

– O PERFIL DOS CANDIDATOS – empenhados na intervenção cívica, associativa e política, Vítor Correia na comunidade escolar e nas questões dos baldios e do ordenamento florestal, Lara Pinho, na militância no PCP e no movimento sindical, enquanto dirigente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses.

A intervenção política esteve a cargo de Lara Pinho.

Precedendo o convívio, e no encerramento da componente política da apresentação dos candidatos, Francisco Gonçalves, referiu que o período que decorrerá até às eleições, servirá para a candidatura da CDU apresentar, em cada uma das temáticas do programa, os problemas do concelho e as propostas da CDU.


Arouca, 8 de Junho de 2021

A Coordenação Concelhia de Arouca da CDU

Confiança e determinação

Intervenção de Lara Pinho, na apresentação da Candidatura CDU

Camaradas e amigos, 

Quero em primeiro lugar agradecer a confiança que a CDU  depositou em mim para encabeçar a lista candidata à Camara  Municipal de Arouca, uma lista de homens e mulheres que se  distinguem pela sua honestidade, trabalho e competência. 

O concelho de Arouca merece e precisa de uma força que esteja  do lado das suas gentes e trabalhe próximo e de olhos nos olhos  com o povo. Essa força é a CDU, a força de esquerda que dá voz e  expressão aos interesses, aspirações e direitos dos trabalhadores  e das populações, que se bate pelo direito a serviços públicos de  qualidade, pelo direito à educação e à cultura, pelo direito à saúde  e à proteção social, pela preservação do ambiente e do  património natural, pelo direito à habitação e aos transportes.  

Agindo e dinamizando a luta, mas também propondo e avançando  soluções. 

A CDU ao longo dos anos tem vindo a defender propostas  concretas para melhorar a vida das pessoas, mesmo nos  concelhos onde não tem eleitos. Essas mesmas propostas têm sido defendidas nas assembleias municipais, bem como na  Assembleia da República.  

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Por uma PAC mais justa e solidária, em defesa da Agricultura Familiar e do Mundo Rural

Comunicado da CNA – Confederação Nacional da Agricultura

Fracassaram as tentativas da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia e dos negociadores do Parlamento Europeu e da Comissão Europeia para alcançar um acordo para a reforma da Política Agrícola Comum (PAC) durante as reuniões realizadas nos últimos dias.

Apesar de o Governo e o Ministério da Agricultura terem apostado todas as “fichas” nestas negociações, a verdade é que a nova PAC poderá ficar definida apenas em Junho… Isto, se acontecer ainda durante a Presidência Portuguesa que termina no final do primeiro semestre do ano.

Perante este resultado, ganha força e razão a luta, a reclamação e as propostas da CNA, das Filiadas – e de muitas organizações camponesas europeias, nomeadamente as organizações membro da Coordenadora Europeia Via Campesina – que têm contestado o rumo desta PAC.

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O imperialismo tem medo – Albano Munes

As ra­zões de fundo da po­lí­tica agres­siva do im­pe­ri­a­lismo são per­ver­sa­mente ilu­didas e fal­si­fi­cadas pela classe do­mi­nante, que sempre in­voca o mais acri­so­lado amor aos «di­reitos hu­manos» e ter­rí­veis «ame­aças» à se­gu­rança das «de­mo­cra­cias li­be­rais e plu­ra­listas» para jus­ti­ficar a cor­rida aos ar­ma­mentos, so­fis­ti­cadas ope­ra­ções de «mu­dança de re­gime», mul­ti­pli­cação de ope­ra­ções mi­li­tares por todo o mundo. A re­a­li­dade é bem di­fe­rente.

Con­fir­mando aliás as aná­lises e pre­vi­sões do XXI Con­gresso sobre o sis­tema de poder norte-ame­ri­cano, po­demos afirmar que a si­tu­ação in­ter­na­ci­onal se agrava de dia para dia com a ad­mi­nis­tração Biden e a sua fre­né­tica ac­ti­vi­dade para reunir sob o seu co­mando os ali­ados da NATO, da UE, da re­gião Ásia-Pa­cí­fico e de tudo o que há de mais re­ac­ci­o­nário por esse mundo fora.

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Uma farsa pouco original – João Ferreira

O pro­cesso de in­te­gração ca­pi­ta­lista eu­ropeu de­sen­volveu-se, em termos ge­rais, nas costas dos povos, des­pre­zando, ou mesmo afron­tando, a sua par­ti­ci­pação e opi­nião. É longo o cor­tejo de re­fe­rendos cujo re­sul­tado foi des­res­pei­tado, com re­pe­ti­ções su­ces­sivas a serem im­postas, mar­te­ladas com pres­sões e chan­ta­gens vá­rias, até que o re­sul­tado desse o pre­ten­dido. Igual­mente longa é a lista de re­fe­rendos que não foram re­a­li­zados, apesar de re­cla­mados, de forma a pre­venir re­sul­tados in­de­se­jados. De Ma­as­tricht a Lisboa, pas­sando pela moeda única, passos (ou saltos) sig­ni­fi­ca­tivos na in­te­gração, com im­pactos pro­fundos na vida dos tra­ba­lha­dores e dos povos, foram sempre dados evi­tando, im­pe­dindo, de­tur­pando, des­res­pei­tando a sua par­ti­ci­pação.

Tal nunca im­pediu aqueles que de­ter­minam o curso do pro­cesso de in­te­gração de pro­curar formas de le­gi­ti­mação das suas pró­prias op­ções, in­clu­si­va­mente ins­tru­men­ta­li­zando a «opi­nião» dos mesmos «ci­da­dãos» que sempre fi­zeram por ig­norar.

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DECLARAÇÃO DE CANDIDATURA

Um futuro de confiança

Trabalho, honestidade e competência

1. Nas Eleições Autárquicas do próximo Outono a CDU apresenta-se, em Arouca, reafirmando o projecto e o percurso feito, assente nos valores de Abril e na valorização do Poder Local Democrático.

2. A CDU – Coligação Democrática Unitária constitui um amplo espaço de participação agregador de todos e todas os que não se conformam com uma democracia formal e uma política-espectáculo que ignoram os problemas concretos e não valorizam a participação popular.

3. Reconhecidamente a grande força transformadora e de esquerda no poder local, a CDU inscreve a defesa do poder local e da sua autonomia como elemento inseparável do regime democrático que a Constituição da República consagra e condição para a representação e defesa dos interesses das populações, para a promoção das suas condições de vida e para a efectivação dos seus direitos.

4. Força distintiva,  a CDU apresenta-se em Arouca com um projecto  caracterizado pela  participação popular  alargada que imprime à sua  intervenção, pela defesa do serviço público enquanto elemento condutor da gestão autárquica, pela valorização dos trabalhadores das autarquias e das suas condições de trabalho, pela reivindicação do investimento público (em infra estruturas, no reforço dos serviços públicos, nomeadamente do SNS, mas também na Educação e na oferta adequada de transportes públicos, e no ordenamento florestal), por habitação acessível, pelo apoio ás freguesias de forma equilibrada, promovendo a coesão territorial e social, pelo desenvolvimento diversificado da actividade económica, com criação de empregos com direitos, pelo apoio aos micro pequenos e médios empresários, pela implementação de medidas concretas de apoio à Agricultura Familiar, pela elaboração e calendarização de plano de melhoria de acessibilidades (eliminando barreiras arquitectónicas na via pública e acesso a serviços),  pela qualificação do espaço público e da preservação ambiental valorizando o património natural e os recursos locais, pela criação de condições para a gestão pública da água e dos resíduos,   pela democratização cultural e desportiva , pelo rigor posto no planeamento e em políticas de uso do solo protegendo e defendendo o interesse público.

5. Futuro de confiança. É esta a mensagem que a CDU projecta, combatendo e contrariando as desesperanças que os  tempos difíceis  que vivemos tendem a animar. Nestes tempos difíceis, a CDU, vencendo obstáculos e constrangimentos, esteve sempre onde devia estar: com as populações e os trabalhadores a responder à epidemia, a combater o medo, a proteger a saúde e os direitos, a  promover o gosto de viver.

6. A CDU é a força que não deixando confinar a vida e os direitos, demonstra que uma  vez criadas todas as condições de prevenção e protecção, a vida pode e deve prosseguir, é a força que aponta o sentido de vivência colectiva, de partilha e de participação como indispensáveis à realização humana e à felicidade; é a força que olha para o futuro com confiança, que anima laços de solidariedade e acção comuns, que não se refugia, que estimula a intervenção e a opinião de cada um sobre as respostas para os problemas do presente e as soluções para o futuro.

A Coordenação Concelhia da CDU, Coligação Democrática Unitária

Arouca, 1 de Junho de 2021

Parabéns ao F C Arouca


Muitos parabéns ao F C Arouca pela subida de divisão numa época
particularmente difícil para o desporto nacional.
Merecido destaque aos atletas e equipa técnica, bem como ao staff e
estrutura do clube.
Motivo de grande alegria para todos os sócios e simpatizantes do clube
e população arouquense.

Fazemos votos para que os naturais festejos decorram em clima de
alegria e segurança.


Arouca, 30 de Maio de 2021

A Coordenadora Concelhia da CDU de Arouca

A cartilha – Gustavo Carneiro

Ins­ti­tuiu-se há tempos, no atri­bu­lado meio do co­men­tário fu­te­bo­lís­tico na­ci­onal, o termo car­tilha, para de­signar a prá­tica de dis­se­mi­nação sis­te­má­tica e or­ga­ni­zada de uma de­ter­mi­nada nar­ra­tiva, pre­vi­a­mente de­fi­nida mas apre­sen­tada como sendo a opi­nião de cada um dos co­men­ta­dores e ar­ti­cu­listas. Não há como saber se a acu­sação tem fun­da­mento, e neste caso talvez nem seja assim tão im­por­tante. Mas o que pa­rece evi­dente é a exis­tência de muitas car­ti­lhas a cir­cular nos jor­nais, rá­dios e te­le­vi­sões da nossa praça (e não só) e sobre ques­tões bem mais sé­rias.

Torna-se di­fícil en­con­trar outra ex­pli­cação para o re­curso cons­tante à ex­pressão «con­flito» para ex­plicar o que mais uma vez se passou na Faixa de Gaza. Não se­riam «mas­sacre» ou «bar­bárie» con­ceitos bem mais apro­pri­ados para des­crever bom­bar­de­a­mentos su­ces­sivos sobre po­pu­la­ções civis, amon­to­adas num ter­ri­tório exíguo de onde não podem sair? So­bre­tudo sa­bendo-se que os mís­seis vi­saram ha­bi­ta­ções, es­colas, bi­bli­o­tecas, ser­viços de saúde, cen­trais ener­gé­ticas ou agên­cias no­ti­ci­osas e que pro­vo­caram a morte de de­zenas de cri­anças…

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Mais de um quarto das trabalhadoras ganha o salário mínimo nacional

«A probabilidade de, no fim da linha, entrar na pobreza, é grande», admite a coordenadora do estudo
Studio FM

Segundo uma análise do Gabinete de Estudos Sociais da CGTP-IN, baseada em dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2020 havia 827 mil trabalhadores a receber o salário mínimo nacional, correspondendo a 23,5% dos trabalhadores do sector privado, sendo que 424 mil eram mulheres.

O estudo refere que há uma ligação entre o peso das mulheres nas diferentes actividades e a percentagem de trabalhadores e trabalhadoras a receber o salário mínimo nacional, sendo que 73,5% do emprego das mulheres no sector privado concentrava-se nas nove actividades onde o peso do salário mínimo nacional era mais elevado entre as mulheres.

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Vão ver – Anabela Fino

«Di­ta­dura não, Li­ber­dade sim» foi o lema da ma­ni­fes­tação pro­mo­vida este sá­bado pela World Wide Rally for Fre­edom and De­mo­cracy, es­tru­tura em que par­ti­cipam as or­ga­ni­za­ções não-go­ver­na­men­tais Somos Hu­ma­ni­dade, De­fender Por­tugal e Ha­beas Corpus, contra as me­didas res­tri­tivas de­vido à COVID-19 e o que dizem ser a «ti­rania» da va­ci­nação.

A or­ga­ni­zação é fre­quen­te­mente as­so­ciada ao mo­vi­mento Qanon, de­fensor de uma te­oria da cons­pi­ração de ex­trema-di­reita e co­nhe­cido por ad­vogar a ideia de que Do­nald Trump é o sal­vador do mundo, criado em 2017 na In­ternet por um uti­li­zador anó­nimo que uti­liza sempre a letra Q para se iden­ti­ficar e se auto-in­ti­tula um «ofi­cial norte-ame­ri­cano». Elu­ci­da­tivo.

Te­o­rias da cons­pi­ração à parte, o que não sig­ni­fica su­bes­timar o as­sunto, é com enorme per­ple­xi­dade que se vê umas cen­tenas de pes­soas, das mais di­versas idades, re­jeitar a «di­ta­dura», como se nela vi­vessem, e clamar por «li­ber­dade».

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O TRILHO – Francisco Gonçalves

Num momento em que Arouca está novamente na moda, com a inauguração da ponte suspensa 516, quero aqui proclamar a defesa do trilho. Nas funções sindicais e políticas, regionais e nacionais, que exerço não passa um dia sem que alguém me pergunte – então e a ponte suspensa? Tornou-se um clássico, substituindo um outro, o dos Passadiços do Paiva, a busca urbana (e suburbana) do paraíso perdido, a mítica “Arouca dos campos e montes”.  

Apesar de não ser a minha praia – a ponte suspensa e o passadiço – não pretendo aqui colocar em oposição o trilho ao passadiço, um turismo de nicho a um turismo massificado e menos ainda negar a importância económica para o concelho dos equipamentos existentes, mais ainda neste tempo de salutar alívio do martírio económico dos confinamentos. Quero, mais que tudo, sublinhar as potencialidades de um esquecido lado B, para o qual Arouca tem condições únicas. Em boa verdade, importa dizer, o território concelhio é tão vasto que podem cá conviver, o “parque de exposições da ponte suspensa e do passadiço” com o lado B, o trilho.

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Homenagem a Catarina Eufémia

CANTAR ALENTEJANO

Chamava-se Catarina
O Alentejo a viu nascer
Serranas viram-na em vida
Baleizao a viu morrer


Ceifeiras na manha fria
Flores na campa lhe vao pôr
Ficou vermelha a campina
Do sangue que entao brotou


Acalma o furor campina
Que o teu pranto nao findou
Quem viu morrer Catarina
Nao perdoa a quem matou


Aquela pomba tao branca
Todos a querem p’ra si
O Alentejo queimado
Ninguém se lembra de ti


Aquela andorinha negra
Bate as asas p’ra voar
O Alentejo esquecido
Inda um dia hás-de cantar

José Afonso