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O facto de o chefe da Igreja Católica portuguesa dar entrevistas em que puxa a brasa à sardinha da sua facção dentro do cristianismo, como se sabe, um negócio multimilionário, não é assunto que me convoque por aí além. Se fosse esse o caso, teria que me debruçar criticamente sobre cada declaração dos dirigentes das muitas religiões que existem por esse mundo fora, desde as pequenas seitas mais ou menos excêntricas, às grandes religiões, algumas delas, como se sabe, bem mais antigas e com muito mais seguidores do que o cristianismo, mesmo considerado no seu todo, que engloba o catolicismo, a ortodoxia e o protestantismo, este, dividido em várias denominações… mais uns tantos “independentes” que pretendem ser seguidores de Cristo, mas não se reveem nas Igrejas.

O facto de o chefe da Igreja Católica portuguesa vir dizer que o «memorando com a troika é para cumprir», aproveitando para declarar que a função dos portugueses não é dizer mal dos governos… não traz rigorosamente nada de novo.

Sendo assim, a única frase da entrevista de “sua eminência” que mexeu comigo, foi a sua canhestra tentativa de sublinhar a “excelência moral” da sua igreja, por contraste com “a política”, de onde, segundo o douto Cardeal, «ninguém sai de mãos limpas».

Poderia dizer que se trata de demagogia populista e barata para cavalgar a onda da crise financeira, económica e política. Poderia dizer que se trata de uma declaração vesga, mentirosa, intelectualmente desonesta, arrogante, preconceituosa, abjecta, fascizante… mas não digo.

Digo apenas que, já que “sua eminência” parece gostar de generalizações, dar-me-ia imenso gozo ver a sua reação se alguém lhe dissesse na cara que todos os membros do clero são pedófilos… exceptuando aqueles poucos que andam a fazer filhos às paroquianas.

Mas não. Também não serei eu a dizê-lo. Não aprecio as generalizações.

in “Cantigueiro