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No seu discurso de 10 de Junho o Presidente da República enfatizou a necessidade de desenvolver um programa de repovoamento agrário do interior.

Tendo como objectivo central o aumento da produção agrícola visando a substituição de importações e a redução do défice comercial do país. Já noutras ocasiões, aliás, Cavaco Silva clamou pela necessidade de aproveitar o mar. São meritórias e merecedoras de aplauso todas as propostas que visem aumentar a produção nacional para, pela substituição de importações ou pelo aumento das exportações, combater a ” questão nodal” da economia portuguesa, o défice externo.

Mas exige-se que os responsáveis políticos sejam coerentes e não tenham pejo em admitir que se enganaram e erraram. Não é possível esquecer que foi nos Governos de Cavaco Silva que os fundos estruturais provenientes da União Europeia mais utilizados foram para provocar o inverso. Os agrícolas foram concedidos para deixar de produzir, para colocar as terras em pousio, para arrancar vinhas e oliveiras. Os dirigidos ao sector pesqueiro incentivaram o abate de barcos, não a sua modernização. E os canalizados para a indústria serviram para quase tudo excepto para a desenvolver. As causas que atolaram a economia num pântano vêm de há muito e responsabilizam muitos e variados Governos.

De facto, a única solução para o País é aumentar a produção. E o apelo ao desenvolvimento agrícola e ao apoio a jovens agricultores é bem-vindo. Porém, o momento é desfavorável à sua concretização. O Estado não apoiará porque a prioridade é a redução do défice a todo o vapor. E o crédito não existe porque os bancos estão em situação complicada. Votos pios nada resolvem. Só há uma via: as prioridades estratégicas têm de ser bem diferentes das programadas com a troika.

15/Junho/2011

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Ver também:

Ministra da Agricultura; Ministra do Ambiente e Ministra do Ordenamento do Território. Então e as Pescas?!!!!