Pode parecer estranho, mas venho aqui lembrar que PS, PSD e CDS dizem «qualquer coisa de verdade» na campanha eleitoral.

Por exemplo, diz «qualquer coisa de verdade» o PS quando considera o programa do PSD como neoliberal. Claro que o do PS também é, como aliás é normal já que se trata do mesmo programa eleitoral – o memorando assinado a três com o BCE/UE/FMI.

Como diz «qualquer coisa de verdade» o PSD quando considera que o PS tem enormes responsabilidades na situação a que o País chegou. Claro que o PSD e o CDS também, não tivessem estado no poder 16 dos últimos 35 anos, e não tivessem apoiado os Orçamentos do Estado e o essencial das políticas dos governos do PS. E não fossem ambos portadores da mesma solução que apresenta o PS: prosseguir e intensificar a mesma política.

Como diz «qualquer coisa de verdade» o CDS quando fala da destruição da agricultura portuguesa e do ataque aos reformados. Claro que sempre que o CDS esteve no poder esse ataque prosseguiu, e que o memorando que o CDS apoiou e quer executar agrava todas essas políticas contra a agricultura e os reformados.

É essa a características das verdades que estes partidos vão usando – são apenas «qualquer coisa de verdade», parte fundamental da grande mentira que é a tentativa de fazer distinções entre as consequências de votar PS, PSD ou CDS.

Aliás, essa comum partilha entre PS, PSD e CDS de programa e pantomineiras práticas políticas é também a «qualquer coisa de verdade» contida na célebre frase «os partidos são todos iguais».

Já dizia o grande Aleixo que «P’ra mentira ser segura / e atingir profundidade / tem de trazer à mistura / qualquer coisa de verdade.»

A grande mentira que é esta «democracia» burguesa, assente na hegemonia económica, política e ideológica das classes exploradoras, alimenta-se exactamente destas meias-verdades, que ajudam a afastar opções eleitorais dos interesses, aspirações e reivindicações concretas dos trabalhadores e do povo.

Armados com a força que já acumulámos, intervimos nesta campanha com a simples e cristalina verdade de que o povo português está entre duas opções e só duas: prosseguir o caminho de desastre nacional ou inverter o rumo, o que em termos eleitorais significa votar PS/PSD/CDS, ou votar CDU.