Recebi há dias uma petição que pedia aos partidos para não gastarem dinheiro na campanha eleitoral. Não é meu hábito comentar estas iniciativas, desta vez, porém, decidi fazê-lo. Aceitei o pedido com uma condição: ser posto em prática quando todos tivessem iguais meios de comunicarem.

Quando os tempos de telejornal e de rádio forem idênticos; quando o seu tratamento (textos, imagens, enquadramentos) for equidistante, quando os comentadores e analistas que por aí pululam deixarem apenas de repetir as posições e afirmações do PS, do PSD e do CDS; quando na Imprensa, as fotos, as legendas, os textos e os títulos tratarem, de forma idêntica, os diversos partidos. Nessa altura, poderemos dispensar outros meios de esclarecimento!

Julgava que não teria resposta. Enganei-me. Disseram-me que nunca pensaram no assunto do ponto de vista da efectiva igualdade de oportunidades, princípio básico da democracia pluralista!

Lembrei-me disto por estes dias. Na sexta-feira acompanhei Jerónimo de Sousa na sua visita ao Porto. Reunimos com o presidente da Associação Nacional de Lacticínios por causa do drama dos produtores de leite. Fomos a S. Pedro da Cova falar com dezenas de pessoas, assumindo o compromisso de impor a remoção de toneladas de resíduos perigosos para a saúde, aí depositados em 2001, era Sócrates ministro do Ambiente. Jantamos e falamos com intelectuais, e fizemos questão de saudar M. António Pina, o novo Prémio Camões. Participamos num comício em Matosinhos onde se falou de pescas, da indústria conserveira e da razia operada pelo PS, PSD e CDS desde a adesão à UE.

De tudo isto, na Imprensa diária editada no Porto, nem uma palavra, uma referência sequer. Para o DN, o JN e o Público, e seus leitores, Jerónimo de Sousa não esteve cá…