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Com aquele ar académico que a designação de Universidade confere, o PSD reeditou a versão estival do acontecimento. Reunidos os «jotas» seleccionados, encomendados os palestrantes e escolhidos os temas, Carlos Coelho, presidente do Instituto Sá Carneiro e principal responsável pelo acontecimento veio desvendar um dos principais objectivos da costumada iniciativa: permitir que «fique nos alunos o bichinho da intervenção cívica». Olhando para os promotores da coisa, conteúdos prometidos e docentes anunciados dir-se-à que a ficar bichinho nos discentes mobilizados só pode vir a ser caruncho. O evento promete. Desde logo pelo esforçado exercício atribuído a Marcelo de esclarecer sobre o posicionamento ideológico do PSD num conclave onde está prometida a dissertação de Guilherme de Oliveira Martins, o independentissímo presidente do Tribunal de Contas, sobre combate à corrupção. Não fossem os recursos oratórios de Marcelo o que são, e sempre se poderia dizer que esta coisa de espetar um ex-ministro do PS a dar aulas em escola do PSD, só serviria para baralhar as mentes dos que dali desejariam sair a perceber onde mora, em matéria de posicionamento ideológico, a diferença entre a prática do PS e a cartilha programática do PSD. Tanto mais que o anunciado contra-ataque de Passos Coelho às declarações de Sócrates dificilmente contribuirá para fazer luz nos jotas ali depositados que lhes permita na penumbra da política de direita ver onde começam uns e acabam outros. Expectável será que, arrumados os arrufos e exercitada a voz grossa julgada conveniente, o contra-ataque se resuma à ideia de que vendidos uns direitos e trocadas umas influências a política de direita possa, sob a desejada graça de Cavaco, seguir sem sobressaltos a começar pelo Orçamento de Estado. E assim sendo, bem se pode dizer que daquela Universidade, a sair algo será pouco mais do que as velhas e carunchosas soluções que vêm minando o futuro do país.

in avante de 2/09/2010